Ato em Brasília reúne apoiadores de Lula na Esplanada; DF também escolhe governador no segundo turno

Brasília amanheceu, neste domingo (18), com ruas fechadas na região central. Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se concentraram a partir das 9h em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, em uma mobilização que bloqueou vias e fez parte de uma série de atos em capitais. Segundo o PT, o movimento integra a iniciativa "Bora Virar", que pretende ampliar o diálogo com a população, conquistar novos votos para o segundo turno e incentivar o comparecimento de quem se ausentou da votação anterior.
O cantor Alexandre Carlo, da banda Natiruts, participou do evento. O presidente, que estava em Brasília, não compareceu e não divulgou agenda pública. De acordo com as informações disponíveis, ele passou o dia se preparando para o debate promovido pela Band, marcado para as 20h, em São Paulo, o primeiro confronto direto entre Lula e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) nesta etapa da campanha.
Os atos do dia tiveram caminhadas, cartazes, bandeiras e apresentações musicais em várias capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, João Pessoa e Recife. A concentração de eventos num único domingo, a uma semana da votação, mostra a aposta da campanha na mobilização de rua como complemento às redes sociais, o que aliados descrevem como a estratégia de "debate e rua".
A disputa em Brasília tem uma particularidade. O eleitor do Distrito Federal não escolhe apenas o presidente: também define o governador, em segundo turno entre Leandro Grass (PT) e Celina Leão (PP). Ou seja, o ato desta manhã acontece num território em que a campanha nacional e a estadual se misturam, e cada lado procura aproveitar a presença de lideranças e artistas para reforçar suas candidaturas. A votação será no próximo domingo (25).
Os números disponíveis sobre o cenário local vêm de pesquisa divulgada na semana passada. O levantamento do instituto Quaest, feito de 8 a 11 de outubro com 1.104 pessoas de 16 anos ou mais no Distrito Federal, apontou Flávio Bolsonaro com 50% das intenções de voto e Lula com 40%. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Uma pesquisa mostra um momento, e não um resultado, e a diferença entre os candidatos pode mudar até a eleição. Vale lembrar também que o resultado do DF não se estende ao país.
No plano nacional, os institutos indicam um quadro bem mais apertado. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) deu 47% para Flávio e 45% para Lula, e a Quaest, divulgada na quarta-feira (14), 46% para o candidato do PL e 44% para o presidente. Em ambos os casos, os institutos classificam o resultado como empate técnico, isto é, uma diferença que cabe dentro da margem de erro. É por isso que as campanhas concentram energia no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais, e tentam mobilizar o eleitor que não votou no primeiro turno.
A semana começa com outro tema forte na capital: o fim da escala 6x1, promulgado pelo Congresso na sexta-feira (16) depois da aprovação no Senado. A proposta, que tem apoio de 61% dos brasileiros segundo pesquisa Quaest divulgada nesta semana, virou ponto de disputa entre as campanhas, que se acusam mutuamente de oportunismo ou omissão. Em Brasília, onde fica o Congresso, o assunto acompanha as conversas de servidores, comerciantes e trabalhadores de serviços.
A capital deve receber nos próximos dias novos compromissos políticos. Aliados de Lula dizem que a campanha vai manter o ritmo de atos e viagens, com prioridade para o Sudeste, e que um grande evento de encerramento está previsto para sábado (24) na Avenida Paulista, em São Paulo. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, pretende reforçar a presença em cidades consideradas estratégicas.
O que o domingo deixou claro foi a intensidade da disputa. O bloqueio de vias na Esplanada é comum em manifestações e costuma ser temporário, mas serve de lembrança de que a eleição se aproxima. Até a publicação não havia estimativa oficial de público para o ato de Brasília nem balanço de ocorrências. Qualquer número que circule sem metodologia deve ser lido com cautela.
